sábado, 28 de fevereiro de 2009

Poeminho do Contra - Mário Quintana


Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!


segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009






Objetos não identificados

O molho de chaves
A caixa de costura
Botões, percevejos e dedais
O azulejo de Lisboa
A estátua de anjo
O óculos escuros
Um encaminhamento ao psiquiatra
O classificados de emprego no jornal
O chá de cipó
Estralando
Aspirinas, dipironas
Xícaras de porcelana
Sobre a mesa de madeira
Em toalha verde sobre a renda branca
Coleção de coisas e anéis de latinha
Desenhos infantis
Lenços
Mãos de mãe
Orações e perguntas
Sem respostas.

Rodrigo Abrahão Gomes

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Monteiro Lobato

"Um país se faz com homens e livros."


O Clube dos Escritores de Alvorada este ano está completando 8 anos de existência. São oito anos de perseverança e de luta pela inclusão cultural. O C.E.A. é feito por gente da comunidade para a comunidade. Por isso, se você gosta de escrever ou é apreciador da Literatrura ajude enviando sugestões, textos, contos, crônicas e poemas.
e-mail: lagrimatatuada@hotmail.com





Em Breve:

"Amores Eternos" em Prosa, a mais nova coletânea do C.E.A.

domingo, 15 de fevereiro de 2009


*Coisas da Vida

Até hoje sinto o seu cheiro puro, 
Um odor que me atrai 
O amor puro e sincero  
Que tu tens por mim
Fez com que eu aceitasse 
A metamorfose da minha imagem 
Um simples toque seu 
Aumentou o calor da minha
Luta para viver
Folhas em branco
De minha vida
Ficaram para trás
Hoje,num novo parágrafo 
Estou desabrochando
Para um novo amanhã
Mas nunca esquecerei
Da tua imagem
Pois a tua luz
Me guia
Até o topo 
Da mais alta montanha

 A autora Vanessa Vicente ajudou a fundar o C.E.A. Na atualidade mora em Viamão, mas continua a manter contato com o Clube dos Escritores de Alvorada. 
 
* Este poema foi retirado do livro "Só Para Mulheres" - outono de 2004.


sábado, 14 de fevereiro de 2009


A Solidão

Ao estacionar o carro julgou ver luzes no seu apartamento. Não podia ser, tinha certeza de ter apagado todas. Na escada pensou ouvir a mesma melodia, uma das preferidas na juventude.

Subiu contando os passos, depois acelerou o ritmo, sentindo o som tornar-se mais claro. Do último degrau, avistou o “olho-mágico”, gostaria de poder ver através dele o que se passava no interior do apartamento.

Retirou as chaves da fechadura jogando-as sobre a mesinha da sala. Enquanto retirou o calçado, ergueu a cabeça à procura da vitrola, deixada na varanda. Conseguiu avistá-la no pequeno espaço entre as cortinas.

Suas meias deslizaram sobre o assoalho, enquanto recordava dos anos que passaram. Ninguém tivera a coragem de tocar naqueles discos.

— Quem, senão ela...? Não, jamais.

Na sacada, as folhas e flores abandonadas. Não tinha costume de regá-las, retirar folhas secas, livrando seus ramos. Não, não tinha este costume. Era somente dela.

Ainda a via no reflexo das vidraças, no sofá onde horas permaneciam a sós.

Apertou forte as grades da sacada, enquanto olhava a lua, a praça, os carros, as sinaleiras, as luzes da noite em mercúrio. Podia pular, talvez correr no ar e alcançar tudo o que visse, antes de cair na calçada e estatelar-se. Não, por ela, não podia abandonar uma vida em branco.

A lâmpada piscou duas ou três vezes antes de apagar (“outro blecaute”). O som da música parou. Viu uma claridade no outro lado da cortina. Estranhou.

Encontrou a peça iluminada por várias velas acesas, que contornavam o ambiente. Ao centro, onde deveria estar a mesinha, um círculo com velas vermelhas, ao redor de um pacote, embrulhado em papel preto.

Com receio, pegou a caixa — parecia uma caixa —, sacudiu, olhou a fita preta que amarrava o embrulho, e decidiu: abriu o presente. Era uma caixa, um porta-jóias talvez. Trancado. Procurou uma chave. Não encontrou. As letras gravadas na tampa não lhe eram estranhas. Pensou em arrombá-la. Na gaveta do armário da cozinha, havia um alicate, talvez..., quebrar não. (Quem sabe na penteadeira...)

Trocou uma das velas pela caixa e foi até o quarto. A luz voltou, a claridade doeu-lhe os olhos. Ali, em cima do criado-mudo, uma chave minúscula, poderia servir. Voltou à varanda. Vazia, sem velas, sem presente, tudo normal. Exceto a chave na mão, com as iniciais dela, KL. E a sensação de estar precisando dormir.

Anderson Vicente escreve contos, crônicas e poemas. Atualmente, anda se dedicando também à produção de novelas juvenis e infanto-juvenis.


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Rosana Machado


INSTINTO

UM AMOR FEBRIL, INESPERADO,
VEIO ALEGRAR, RESPLANDECER
CONSOLIDAR O MEU VIVER ...

MAS, DESDE QUE CORTAMOS NOSSOS LAÇOS,
SOU SOMENTE UMA SOMBRA QUE VAGUEIA
PROCURANDO SEGUIR TEUS PASSOS
NO REFÚGIO DO PENSAMENTO ...
SOU UM VENTO QUE NORTEIA
RUMO AO LIMITE DOS TEUS BRAÇOS,
QUANDO A ÚLTIMA ESPERANÇA INCENDEIA
E RECRUDESCE O SOFRIMENTO !

HOJE, RESSURGE NA MEMÓRIA,
CARREGADAS DE EMOÇÃO E NOSTALGIA,
AS BELAS PÁGINAS DA HISTÓRIA
CONTIDAS EM NOSSO ÍNTIMO ...
QUE OS VERSOS E FANTASIAS
POSSAM ALCANÇAR A MESMA GLÓRIA
DESTA EXALTADA, MARAVILHOSA IDOLATRIA,
QUE SEJA AMOR, NÃO SÓ INSTINTO !

Rosana Machado.(poeta sócia do CEA)

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Lançamento do livro "Alvorecendo"


O GRUPO MOSAICO


É formado por escritores amadores, participantes do CLUBE DOS ESCRITORES DE ALVORADA.
Os textos escritos pelo grupo podem ser levados à cena, por quem solicitar licença junto aos autores, sem pagamento de direitos autorais, desde que se comprometam em divulgar a autoria e façam apenas apresentações beneficentes ou em concursos teatrais, que tenham entrada livre.
Escolas públicas ou instituições filantrópicas poderão solicitar aconselhamento técnico ou o acompanhamento de um Diretor de Cena.

O MENINO QUE GOSTAVA
DE OUVIR HISTÓRIAS


A U T O R E S:

ANDERSON VICENTE (Industriário e escritor)

NELMAR BATISTA (Decorador e poeta)

RICARDO PORTO (Funcionário público e promotor cultural)

Endereço para correspondência:
GRUPO MOSAICO
Rua Cedro N.º 206 — F: (51) 30443744
CEP: 94 828 - 140 — Alvorada – RS
e-mail: portoporto@pop.com.br

                        

 

A Herança

O herdeiro ultrapassou o portão; avistou apenas o casarão abandonado. O chafariz, lembrança mais forte de suas brincadeiras, coberto pela vegetação, não se parecia com o de outrora. O gramado, onde ensaiou os primeiros passos, o jardim, o orgulho das mulheres da casa, tudo invadido pelo mato, não deixavam imaginar a imponência dos tempos idos. Quase não reconheceu o mundo de sua infância.
A  pesada chave de ferro não conseguiu vencer a ferrugem da fechadura. Sem esforços, arrombou o passado.
Adentrando na sala, sentiu-se observado pelo retrato na moldura, esquecido sobre a mesa com verniz descascado, contrariando que "lembrança é igual miragem" — seu pai sempre dizia isso, sorrindo —," é feito um nada, aparece e simplesmente some ao estendermos a mão". "O pior", corrigiu, "é o que se perde e não volta".
Abriu a janela, deixando o sol amarelar ainda mais as cortinas. O vento ondulou os lençóis que cobriam os móveis há tanto tempo. O som dos jardins invadiu a casa. 
Desceu à adega, o que era proibido quando criança. Encontrou um bom vinho tinto. Voltou à sala, retirou a cobertura da velha cadeira de balanço e recostou-se. Imaginou-se envolvido pelo fino som de um violino; igual a muitas vezes vira o próprio pai naquela mesma cadeira, bebericando seu vinho preferido, ao lado da vitrola que só reproduzia Vivaldi.
Sentiu-se um personagem daqueles livros na estante: grande, louco e solitário. Atravessou a cozinha, sentou-se na soleira da porta e ficou assistindo um pequeno canário que parecia dissertar sobre a melancolia daquele fim de tarde. Decidido, voltou ao porão e pegou mais uma garrafa, subiu até o quarto principal, abriu as portas do roupeiro e procurou fósforos nos bolsos.
Saiu com a fotografia e a garrafa embaixo do braço. Na rua, deu uma última olhada nas chamas que consumiam os restos de sua herança.
     
Esse conto de Anderson Vicente foi retirado do livro "Alvorecendo" publicado em 2002.

        
A ÁRVORE

Eu vi uma árvore e perguntei:
O que está fazendo aqui?
Estou plantada aqui. E você?
Estou passeando.
Aonde você vai?
Vou ao circo.
O que é circo?
Tem palhaço.

O que é palhaço?
E uma pessoa pintada.
De que cor?
Branco e vermelho.
Só isso?
Não, tem elefante.
O quê é elefante?
E um bicho com nariz grande.
Porquê?
Porque é elefante.
Tá, e o passeio?
Passou da hora.
Tchau.
Tchau!


Hundllo Porto (aprendiz de escritor)

sábado, 7 de fevereiro de 2009


Ódio

Tenho um grito

preso na garganta

um grito de EU TE ODEIO

de NÃO QUERO MAIS TE VER

um grito de desejo

de dizer a ti

tudo de ruim que existe

mas quando me deparo contigo

e olho nos teus olhos

no teu jeito manso e cativo

mais uma vez me rendo

mantenho preso na garganta

este grito de TE AMO

E ME ODEIO

por não dizer

tudo que sinto por ti.

Mutty ( Sócio-poeta Nº 025)



Coletâneas do C.E.A

* Alvorecendo - Inverno de 2002

* Semeando Pérolas - Inverno de 2003

* Primavera Poética - Primavera de 2003

* Só Para Mulheres - Outono de 2004

* Alvorada Fazendo Arte - VI FEIRA do Livro de Alvorada

Com estas publicações do C.E.A., feitas de maneira cooperativada por integrantes e convidados, o Clube de Escritores totalizou cerca de uma centena e meia de escritores participantes.

ESTANDE DO C.E.A NA FEIRA DO LIVRO

Da esquerda para a direita: Renato Mutty, Tommy Porto, Hundllo Porto, Sérgio Brandão, Ricardo Porto e Vanessa Millis.


Rosa graciosa

Um botão de Rosa se abriu !
Espichou as raízes abaixo da névoa de poeira;
Ora ela se banha da chuva,
Ora se abona e se privilegia
Dos afrescos do arrebol...
.Entre as Margaridas, Begônias, folhagens trepadeiras
Avista-se uma graciosa flôr
Inspirada por Deus e pelas Ninfas herdeiras,
Preservada com terra, carinho, água
e sol !.

Rosana Machado(poetisa e sócia do C.E.A.)


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Brincando de voar

Meu pai fez uma pipa
Papagaio ele dizia
Eu chamava de pandorga
Que nem dizia minha tia

Pandorga toda vermelha
Duzentos metros de linha
Quando eu puxava, ela vinha
Quando eu largava, ela ia

Domingo o vento ajudou
Ela voou tão bonita
Parecia uma arara
Amarrada numa fita

Não sei se o vento foi forte
Ou linha muito fina
A pandorga foi embora
Acho que parou lá na china



Thommy Porto (escritor-júnior e sócio do C.E.A.)