quarta-feira, 28 de outubro de 2009

MINHA FLOR...


No meu jardim, plantei uma rosa,
Cuidei, cultivei, aguei todo prosa,
Para mim, era a flor mais linda do mundo,
Tinha orgulho, dedicação e amor profundo.

Das pragas, doenças, enfermidades a protegia,
Doei meu amor, minha vida enquanto crescia.
Tornava-se forte, e pra vida despontava,
Difícil demonstrar o quanto a amava.

Do meu jardim, então começou a caminhar,
Passos vigiados, do jardineiro a chorar,
Sabia que o destino assim a levaria,
Dor, medo, saudade, mas também alegria.

Dever cumprido, da semente agora crescida,
Aprender a dividir minha flor com a vida,
Nos acertos, da sua alegria compartilhar,
Sofrer, e estar ao seu lado quando chorar.

Meu jardim agora está vazio,
Relembro saudoso, os anos a fio,
Dever cumprido, talvez ele esteja,
Sentimento guardado com tristeza.

Jardineiro eu fui, e para sempre serei,
Para o resto da vida, ao seu lado estarei,
Aguardo ansioso, poder te ajudar,
E uma nova flor poder cultivar.

(Carlos Melo de Andrade)


sábado, 24 de outubro de 2009

Quatro haicais e um livro

Viajar no tempo
E viver no mundo todo
Dentro do livro

Na natureza
Tudo se modifica
Menos um livro

Qualquer estação
Você julgará a melhor
Se ler um livro

Folhas de árvores caem
Outras voltam a crescer
Do livro jamais.
(Ricardo Porto)

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

VIVER É UM ESPETÁCULO DIÁRIO



Quando entraste em minha vida
Eu não te prometi o paraíso
Mas deixei muito claro
Que minha vida era um circo...

Não que eu seja palhaço
Nem tampouco um animal enjaulado
Mas te avisei que todos os dias
Seriam dias de espetáculo...

Vivo de sonhos e fantasias
E penso que a vida só tem graça
Se vivermos todos os dias
Como na estreia de uma nova temporada...

Aos poucos me desnudo
Ando no trapézio
Visto todas as fantasias
Quando não posso as lágrimas caem
Sou novamente o palhaço que negava
Porque o espetáculo tem que continuar...

(Mário Feijó)

terça-feira, 20 de outubro de 2009

.............FREE-WAY............



No céu, nem um fiapo de nuvem
No horizonte, só o embaralhado
Da visão contra o asfalto
Na estrada, nem uma curva
Só a grande reta do sono
Na pasmaceira do volante
Só a vontade de chegar logo
Aonde quer que seja
Sonhando, fiz a opção errada
Em vez de deixar crescer as asas
Optei por criar raíses de sonhos
Não fui em busca do meu zênite
Fiquei apenas sonhando
Sem ir atrás de coisa alguma
Com medo das curvas
Entrei numa estrada reta

(Ricardo Porto)

...................5000 visitas.............

Cinco mil acessos!

Valeu, aí!

Obrigado pela participação.

Continuem cooperando.

Nós temos cultura.

Faltam pessoas interessadas em divulgar.

Faça parte destes guerreiros da cultura.

Pra vc, meu amor.

Não sou um sol completo
Sou raio de luz, fragmento
Ilumino nosso afeto
Aqueço um sentimento
.
Não sou mulher charmosa
Que passe e chame atenção
Entretanto sou fiel e carinhosa
Como uma rosa desabrocho o coração
.
Dizer que te amo já não basta
Carece um ato, um gesto terno
Porque palavras o tempo gasta
Mas o beijo de quem se gosta é eterno
.
(Ana Farias)

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

CAMINHOS



Por que será
Que em nossos caminhos
Aparecem pessoas
Que jamais gostaríamos de cruzar?

Noutras vezes amamos
Gente que nem sabe
O que significa amor
Outras nem sabem que a amamos...

Sempre restará uma lição
Um aprendizado – amores
São brisas que o tempo sopra
Em nossas vidas –

Há sempre alguém
Querendo amar
Há sempre alguém
Querendo ser amado...

E nós seguimos nosso caminho
Como animais que mudam de lugar
A cada estação – são as estações do amor –
Que nos mostram os caminhos a seguir...

Mário Feijó

domingo, 18 de outubro de 2009

MENINA DOS OLHOS



Aquela menina
Dona dos olhos
Que me dão tanta paz
Não cansa jamais
De me olhar
Eu só olho a dona menina
Por causa de seus olhos
Mas a menina dona dos olhos
Julga que olho para ela
E não só para a menina
Dos olhos dela
A menina é jovem e bela
Mas só amo a menina
Dos olhos dela
Nada mais
Não é a dona dos olhos
Que me transmite paz
São só seus olhos
(coisa mais bela)
Que amo, que adoro
só quero a menina
dos olhos dela.
(Ricardo Porto)

POESIA


O BRASIL É PENTA


Ouviram do Ipiranga
às margens plácidas
de um povo heróico
o brado retumbante:
“SEMO PENTA!”
O povo sofrido e crente
mandou Deus para o Oriente
ajudar a seleção
Nem notou que subiu
de novo, o preço do pão
Mas isso não é importante
o Brasil é campeão
E o aumento da gasolina
que já era uma sina
a gente aguenta
Afinal, o Brasil é Penta
E dá-lhe comemoração
foguetórios e bandeiras
tudo pago à prestação
com carnê para o ano inteiro
Porque tem o jeitinho brasileiro
Se não tem, a gente inventa
Afinal, o Brasil é Penta
Gás, luz, telefone
tudo subindo a mil
E agora ouvimos
na beira daquele rio:
“RUMO AO HEXA BRASIL!”
(Ricardo Porto)

MIGRANTES



Irmão do campo, iludido
Por esperança, ambição
Com falsas promessas
É arrancado do rincão

Deixa o seio da querência
Terra, campo, a liberdade
Invertida pela promessa
Do viver melhor na cidade

Troca fome por corrente
A ilusão de fartura
Na grande capital doente
É doença que não tem cura

Acorda do que sonhou
Puxando carroça, catando latinha
Vivendo abaixo da linha
Da pobreza que deixou

Começa sonhar com o torrão
Em voltar para sua cidade
Por que lá sua pobreza
Tinha gosto de liberdade

Mas os grilhões da metrópole
São perpétuos, fatais
Qual pássaro trancafiado
Não será solto jamais
(Ricardo Porto)

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

GAÚCHO VELHO



Que nem cusco na geada
Tô esperando minha hora
Olhando pra invernada
Queria tanto estar lá fora
Até o último momento
Mas o dono do firmamento
Me deixou viver demais
Agora, só no pensamento
Corro, cavalgo ao vento
Forças não tenho mais
Sou velho gaudério em paz
Com o tempo quase acabado
Mas já estou bem preparado
Pra ir morar com as almas
Não quero saber de tristeza
Na beira do meu caixão
Em vez de flores, quero palmas
No lugar da vela, um vanerão
Uma prenda cantando a beleza
Do nosso querido rincão
Pra quando chegar a hora
Do tal adeus derradeiro
Já guardei algum dinheiro
Pro meu corpo ser cremado
E na guaiaca o suficiente
Pra pagar algum vivente
Que jogue o pó nalgum costado
Virado pro sol nascente
Deste pago da gente
Que tanto tenho cantado.
(Ricardo Porto)

Pessoisses

MENTIROSO

O poeta é um fingidor
finge tão completamente
que finge que é gente
que ama, que odeia
que é indiferente
Poeta é um fingidor
Finge pra gente
que tem sentimentos
que em todos momentos
está sempre sentindo
tudo que a gente sente
O fingidor finge tão bem
que a gente acredita
jura que é bonita
a mentira do poeta
que tal qual profeta
diz o que a gente sente
naquele momento presente
que está acontecendo
coisa igualzinha com a gente
“O poeta é um fingidor
finge tão completamente
que chega fingir que é dor
a dor que deveras sente.”

Releitura de "Autopsicografia" de Fernando Pessoa.
(Ricardo Porto)

,
















Por mais que calem


Por mais que calem
por mais voltas que o mundo dê
por mais que neguem os acontecimentos
por mais repressão que o Estado imponha
por mais que se lambuzem com a democracia burguesa
por mais greves de fome que silenciem
por mais amontoados que estejam os cárceres
por mais pactos que façam com os controladores de classe
por mais guerras e repressões que imponham
por mais que tentem negar a história e a memória de nossa classe,

Mais alto gritaremos:

assassinos de povos
miséria de fome e liberdade
negociadores de vidas alheias
mais alto que nunca, em grito ou em silêncio,
lembraremos vossos assassinatos

De pessoas, vidas, povos e Natureza.

De lábio em lábio, passo a passo, pouco a pouco.


Salvador Puig Antich (1948-1974). Poeta e militante político catalão. Foi preso, julgado e executado em 1974 pelo regime do ditador fascista Francisco Franco.



sábado, 10 de outubro de 2009

Sala Don Quixote


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Livros e alegria são sinônimos.

Uma pose para a história.

Se tiver livro, o adulto le. Se não tiver...

Se tiver livros, a criança le. Se não tiver...

Entre balas e bolachas...

Leitura, autógrafo e chimarrão.

Leitura em grupo.

E as novidades divertem.

Os mestres admiram.

A alegria da leitura.

Tinha que ter discurso!

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

domingo, 4 de outubro de 2009

sábado, 3 de outubro de 2009